18 – por Ale Ruaro

Retratando a intimidade de uma realidade não acessível ao convívio usual, Ale Ruaro transforma seres humanos em corpos atemporais e sem individualidade. Ele utiliza da fotografia para converter suas experiências pessoais e do cotidiano em imagens que trazem à normalidade o não convencional. Numa catarse visual, busca uma conexão entre seus temas e o espectador, procurando desnudar preconceitos pela exposição das diferenças.

Nos encontramos após a meia-noite e conversamos por mais de uma hora enquanto rodávamos de carro pela cidade. Quando achávamos um lugar promissor, parávamos o carro e saíamos pra uma rápida sessão de fotos. A sensação de risco, de exposição pública, foi eletrizante.

“A linguagem fotográfica geralmente instiga o olhar a perceber a figuração, o representado. Mas o quê um corpo representa ou apresenta? Corpo-matéria que concretiza uma existência, que abriga o que não pode ser dito, que sustenta o que não pode ser visto: corpo-suporte de um outro. Assim, o artista focaliza suas lentes sobre o que está além.

Desde 2011 já são mais de cem corpos desnudados. A cumplicidade entre o artista e o fotografado se dá na simplicidade do ato: um instante in-comum tornado imagem, onde a citação de Didi-Huberman ganha sentido: ‘a visão ali se rasga entre ver e olhar, a imagem ali se rasga entre representar e apresentar’. Um pequeno rasgo do olhar construído em mais de vinte anos de atividade fotográfica entre o limite do registro e a construção de uma ficção.”

Silvana Boone – Dra. em Artes Visuais

Ale Ruaro (1976) é fotógrafo desde 1996. A partir de 2004 tem sido agraciado com premiações, convocatórias e menções honrosas em concursos nacionais e internacionais, destacando presença na Argentina, Uruguai, Estados Unidos, República Tcheca, Bósnia e Cabo Verde. Nos últimos cinco anos participou de exposições coletivas e individuais no RS, RJ, SP, Colômbia e República Tcheca. Produziu e publicou seis livros autorais com diferentes tiragens. Eu fiquei feliz de me tornar um dos seus Naked Friends.

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