12 – por Chico Castro

Quando conheci o Chico Castro, nosso papo “rápido” pra definir como seria o ensaio levou duas longas e boas horas. O Chico tem uma obra incrível e dá vontade de conversar por dias a fio. Sabia exatamente o que queria pras nossas fotos: cenas dramáticas inspiradas em Caravaggio e outros renascentistas. Foi a primeira oportunidade de convocar mais modelos pra um ensaio coletivo.

O Rodolfo é meu marido e cúmplice desde o início do projeto. Rony é um incrível fotógrafo que foi visitar São Paulo e se hospedou na minha casa por uma semana. Andre Labate é um amigo que também vinha explorando o nu como modelo e, assim como Rony, estava ansioso pra participar, ao meu convite. No estúdio improvisado na casa de um amigo, o quadro limitado que tínhamos para trabalhar forçou rapidamente a nossa intimidade e os quatro corpos passaram prontamente a ocupar o mesmo lugar no espaço.

O Chico Castro sabia exatamente o que queria do ensaio. Na primeira parte do ensaio, chamada simplesmente de “Nós”, tensão. Pra segunda parte, violência. E o chamamos “Carne”. Mas a força e a crueza das imagens contrasta com o estado relaxado em que estávamos durante todo o ensaio. O making-of foi transmitido ao vivo pelo Periscope e assistido por mais de 16 mil pessoas.

“Não sei dizer ao certo quando começou minha paixão pelo nu. A referência que me vem à mente é meu projeto de conclusão de um curso que fiz em 2013, em São Paulo, que nomeei Árvore da Vida. A finalidade era retratar membros da minha própria família, da qual eu não era tão próximo como gostaria. Usei a fotografia deliberadamente como desculpa para uma reaproximação, um resgate. Esse resgate da intimidade fluiu tão bem entre nós que quando me dei conta, minhas tias, algumas com mais de 60 anos, estavam posando seminuas para mim. A partir daí, vim sentindo cada vez mais vontade de pedir aos meus retratados que fossem além da roupa, entrando em um terreno desconhecido mas familiar, movediço, quente, aconchegante. Lembro de pedir a um colega do curso, que é policial, que posasse sem camisa durante um exercício de retratos, e ele o fez. […]

[…] Hoje em dia, em meus projetos autorais, vejo modelos vestidos e sinto estar olhando para uma paisagem com potencial para ser um jardim verdejante, mas encoberta por carros e prédios que atrapalham a visão do que está por trás. Meus projetos não partem de pesquisas metodológicas com objetivos precisos. Possuem apenas começo e meio. Talvez venham de um aglomerado de coisas que vivi, que gostaria de viver ou que tenha vivido mas não lembre. Quando eu olho um trabalho pronto, vejo mais seu processo, o que vivi e aprendi ao realizá-lo e os momentos que vão ficar gravados na minha memória e na das pessoas fotografadas. Deixo o espectador decidir para onde quer ir quando olha minhas imagens, lembrando que só há dois caminhos, Amor ou Dor.”

— Chico Castro